terça-feira, maio 24, 2005

Cego guiando cego

É cego guiando cego.

Como pensar somente no desenvolvimento financeiro? Será que só o desenvolvimento financeiro irá ser capaz de reverter os problemas sociais? São com estas perguntas que irei comentar a visita do governador Marconi Perillo a Microsoft nos EUA.

Num domingo em casa, preocupado como iria fazer para continuar minha luta por uma vaga em um universidade pública, avistei o jornal, que trazia uma matéria intitulada de Salto para o futuro. A entrevistada era Raquel Teixeira, secretária de Ciência e Tecnologia do governo de Goiás.

A viagem dos representantes do Governo de Goiás teve como motivo, segundo a imprensa local, a busca de apoio para montar telecentros de informática no Estado. Isso, segundo o governo, reverteria a migração dos cérebros de Goiás para outros locais como Brasília, criaria centro de apoio na UEG (Universidade do Estado de Goiás) para formação e capacitação de pessoas.

Uma declaração da secretária me deixou preocupado. Justificando sua visita e o acordo feito com a Microsoft, Raquel Teixeira declarou: Não temos assistência técnica na área de software livre. Há uma comodidade em relação à estrutura gigantesca que a Microsoft criou. Na verdade, fomos os únicos a conseguir software livre da Microsoft, uma vez que vamos ficar liberados do pagamento ao software neste apoio deles aos telecentros [...].

Será que, realmente, a secretária sabe o que é Software Livre? Será que não temos assistência técnica na área do software livre? E os milhares de estudantes que dedicam suas horas de estudo para poder melhorar o software livre, onde estão?

Como as pessoas que guiam o futuro do Estado e controlam o seu desenvolvimento conhecem tão pouco ou aparentam não saber as verdadeiras vantagens do software livre? Volto a introdução, como pensar somente no desenvolvimento financeiro? O software livre traz inúmeras vantagens. Uma delas, talvez a mais importante, seja o desenvolvimento intelectual e o crescimento de cooperação numa sociedade destruída pela individualidade e pela discrepância da distribuição de renda no país.

Fico preocupado também com os novos que irão entrar no mundo da informática via telecentros montados por interesses apenas comerciais apenas com visão de mercado e não preocupados em serem agentes de transformação e desenvolvimento. É cego guiando cego.

Por um outro lado, fico contente. O software livre está conseguindo nos levar a uma reflexão e começando a incomodar as grandes corporações. Espero que nos próximos encontros, nossos governantes estejam mais cientes do que é software livre e de suas vantagens para o COLETIVO.

O desenvolvimento financeiro é apenas um dos pilares a serem erguidos para a sociedade. O país precisa de diminuir sua dependência tecnológica e desenvolver cérebros para atuar nesse mercado da informática como criadores e não como meros repetidores de conhecimento.

Leonardo Afonso Amorim (thephoenix)

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

iaeee Ridsomm blz?
nem sei mexer aki direito. hehehe
mas massa seu blog..
fika com Deus

4:47 PM  

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