domingo, maio 29, 2005

Viva o Linux - mas sem muletas

Introdução

Há tempos que quero expressar alguns pontos que penso serem de extrema importância para a comunidade GNU/Linux, porque a cada dia que passa parece que as atenções de muitos estão sendo desviadas (sutilmente) para que não cortem definitivamente o cordão umbilical que um dia os uniu à mãe possessiva.

É óbvio que as linhas escritas a seguir, não tem o cordão de desmerecer nem de desrespeitar quaisquer entidades ou quaisquer softwares existentes no mercado, seja proprietário ou seja livre.

Mas vou começar falando do que é mais comum e que vemos muito atualmente, e muitas perguntas estão sendo abordadas no aspecto, com uma séria preocupação de quem interroga.

Estou falando de utilização contínua de programas do sistema proprietário, no GNU/Linux, através do "wine". Na verdade a muleta que falo é exatamente o wine, e não estou dizendo isso como crítico do programa, mas sim como crítico da forma com que está sendo encarado. Eu entendo que precisamos - nesses momentos iniciais quando o GNU/Linux invade definitivamente os computadores e que não temos ainda todas as ferramentas suficientes - do emulador para rodar muitos programas ainda sem substitutos nativos. Mas entendo melhor ainda, é que devemos começar a nos preocupar com a criação de programas nativos similares (e até melhores) aos programas que obrigatoriamente rodamos ainda sob o emulador. Não temos que nos preocupar se as próximas versões do emulador (ou dos emuladores, porque existem outros - falo do wine por ser o mais popular e que acompanha a maior partes das distribuições) suportarão um número maior de programas proprietários ou não, se rodarão com mais eficiência os que atualmente roda, se a última versão para download já roda na nossa distro, etc.

Porque vou querer insistir, por exemplo, em rodar o internet explorer sob o wine quando eu posso rodar o meu Mozilla FireFox que é levíssimo, carrega num piscar de olhos, é excelente, tem um bom visual, e o mais importante: é open source; porque vou querer rodar o word ou o excel sob o wine (embora eu tenha conhecimento que rode) quando eu tenho o OpenOffice que é tão bom (ou melhor) que os citados, além de ser livre, quando eu tenho um StarOffice que é excelente (e graças a ele e a SUN ter liberado seu código-fonte para a comunidade OS é que existe o OOo) e que embora não seja livre, pode ser adquirido por um preço razoável. A estes, unem-se outros exemplos que poderiam ser citados, como os programas nativos das plataformas gráficas mais populares (KDE e Gnome).

E vejo, não com bons olhos, as pessoas preocupadas para fazer seus programas rodarem no wine, e perguntas surgem a cada dia sem que nos demos de conta que isso não é o melhor caminho para o software livre. A existência desse tipo de programa, teria obrigatoriamente que ser temporária - não estou dizendo com isso que eles deveriam sumir do mercado mas que, cada usuário deveria usar um restrito tempo, até que se adaptasse totalmente à nova plataforma.

Atualmente temos no GNU/Linux, programas para praticamente todos os seguimentos. Deixando de lado as suítes de escritório que particularmente já falei, poderia citar programas de tratamento de imagem (como o GIMP que vem se destacando cada vez mais), gráficos, som, vídeo, jogos, programas de internet, criadores de arquivos PDF (aliás, o próprio OpenOffice atualmente já gera esse tipo de arquivo), e muitos outros.

Não estou condenando o uso, ao contrário, acho que devemos usar o emulador "enquanto houver necessidade", mas devemos dispensá-lo e trocar pelo uso de um programa nativo quando constatarmos a existência de um, mesmo que ele de início seja um pouco inferior. Isso nos levará a contribuir para melhorá-lo. e se for bom de nascença, então melhor ainda. Está na hora de nos unirmos para dar dizer:

VIVA O LINUX, viva o Linux mesmo.